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Rumo a um futuro melhor para raparigas,mulheres e jovens em meio a crises humanitárias

“Apesar de 5 dias de espera para sair, fugindo do distrito de Palma sem nada, uma viagem de barco de 3 dias para o distrito de Pemba, as raparigas que conhecemos ainda sonham em ser enfermeiras, professoras, médicas - incluindo uma rapariga que deu à luz gêmeos no mês passado após escapar da violência no 5º mês da gravidez. Elas merecem um futuro melhor! ” - Andrea M. Wojnar, Representante Residente do UNFPA em Moçambique

Maputo, Moçambique - Mais de 732.000 pessoas foram deslocadas internamente (em abril de 2021) nas províncias do norte de Moçambique devido à violência ou desastre ambiental - incluindo o devastador Ciclone Kenneth de 2019. O UNFPA tem trabalhado com as autoridades locais e parceiros para aumentar a disponibilidade e o acesso a serviços de saúde sexual e reproductiva que salvam vidas, prevenir e responder à violência baseada no género, abordar o COVID-19 e mitigar seus impactos secundários sobre as mulheres e raparigas.

Após a sua visita à Etiópia, a Sra. Shoko Arakaki, Directora do Escritório Humanitário do UNFPA, visitou a província moçambicana de Cabo Delgado, que tem enfrentado ameaças compostas de conflito, ciclones, COVID-19 e cólera. Na chegada, ela se encontrou com o Governador da Província, Sr. Valige Tauabo, que afirmou que a presença do UNFPA na província é essencial, já que as intervenções apoiadas pela agência serviram para promover a mudança de comportamento entre jovens e adolescentes. O Sr. Tauabo elogiou os esforços da agência para garantir que a ajuda necessária chegue às populações mais vulneráveis.

A Directora Humanitária do UNFPA viajou para o distrito de Metuge, onde mais de 125.000 pessoas deslocadas, o dobro da população local, se abrigam em locais de deslocamento ou nas comunidades anfitriãs. Com 50% da mortalidade materna ocorrendo durante crises humanitárias, a continuidade dos serviços de saúde reproductiva é crucial para mulheres e raparigas. O UNFPA trabalha com as autoridades de saúde provinciais para garantir que os equipamentos e produtos essenciais permaneçam acessíveis mesmo após uma crise. Enquanto estava no distrito, a Sra. Arakaki visitou o Centro de Saúde de Metuge, onde ela pôde fornecer a duas novas mães kits de mãe contendo itens essenciais como sabonete, absorventes higiênicos, uma banheira infantil e baldes de água para necessidades de saúde e higiene.


A jovem mãe recebe itens essenciais para ela e seu novo bebê da Sra. Arakaki, Diretora Humanitária do UNFPA
e Sra. Wojnar, Representante Residente do UNFPA ©Mbuto Machili/UNFPA Moçambique

Várias das novas mães que a Sra. Arakaki encontrou tinham apenas catorze anos, um lembrete de que a igualdade de género e os direitos sexuais e reproductivos das raparigas são especialmente cruciais durante conflitos e crises humanitárias. Para apoiar raparigas em situações semelhantes e para mitigar outras práticas prejudiciais enfrentadas por mulheres e raparigas deslocadas, o UNFPA está a apoiar o Governo de Moçambique e parceiros da sociedade civil a estabelecer e manter espaços amigos das mulheres em vários distritos de Cabo Delgado.

Nesses espaços seguros, as mulheres podem participar de diversas actividades de alívio do estresse e de geração de renda e, muitas vezes, participar de sessões de conscientização sobre resposta e prevenção à violência baseada no género, saúde sexual e reproductiva e COVID-19. Acompanhada pela Representante do UNFPA em Moçambique, a Sra. Andrea M. Wojnar, a Sra. Arakaki visitou um espaço amigo das mulheres na aldeia de Ngalane, distrito de Metuge. As mulheres expressaram sua gratidão pelo espaço seguro onde participam das aulas de costura e agro-processamento, que permitem a produção de itens como máscaras faciais e nutritivos chips de banana e possibilitam a geração de renda para as mulheres.

 


Uma mulher mostra uma máscara facial recém-produzida em um espaço
amigo das mulheres ©Mbuto Machili/UNFPA Moçambique

Em um país que enfrenta conflitos, mudanças climáticas, a pandemia COVID-19 e insegurança alimentar, os esforços multissectoriais são cruciais para permitir a realização dos três objetivos transformadores: zero necessidades não atendidas de planeamento familiar, zero mortalidade materna evitável  e zero violência baseada no género e práticas prejudiciais. Enquanto na capital, Maputo, a Directora Humanitária reuniu-se com os principais parceiros, como o Presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres, parceiros de desenvolvimento e Equipe das Nações Unidas no País, para reiterar o compromisso do UNFPA em Moçambique para alcançar os três objetivos transformadores, concentrando-se em mulheres e raparigas e trabalhando em um nexo triplo da resposta humanitária à construção de resiliência.

No final de sua missão, a Sra. Arakaki reuniu-se com a equipe do Escritório do UNFPA no país, onde ela transmitiu que "apesar dos desafios significativos enfrentados, o impacto dos esforços do UNFPA pode ser visto e sentido no terreno." Ela instou a equipe a continuar a encontrar maneiras inovadoras de fornecer alívio às pessoas afectadas por crises humanitárias, permanecendo responsável perante as populações afectadas e capacitando mulheres e organizações locais lideradas por jovens.