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Cooperação Sul-Sul em Ação: Enfermeiros unem-se além fronteiras para reduzir a mortalidade materna e neonatal na Província de Tete, Moçambique

“Eu não estava preocupada ou ansiosa quando comecei o meu treino porque este sempre foi meu sonho, eu sabia que era o que eu deveria fazer”

Conta a Enfermeira Rosa, que completou o treino no final de 2020 através do projeto apoiado pelo UNFPA e financiado pelo governo de  Flandres com foco na melhoria da qualidade da força de trabalho de obstetrícia na província de Tete, Moçambique.

Rosa havia começado a sua carreira como cozinheira quando decidiu perseguir o seu sonho de ser enfermeira de Saúde Materno-Infantil em 2008, aos 49 anos. Ela conta que sempre sonhou em trabalhar diretamente com gestantes e recém-nascidos.

As parteiras salvam vidas. Parteiras bem treinadas poderiam ajudar a evitar cerca de dois terços de todas as mortes maternas e de recém-nascidos em todo o mundo, de acordo com o relatório do estado do mundo sobre obstetrícia do UNFPA. Como as principais cuidadoras das mulheres e dos seus recém-nascidos durante a gravidez, o trabalho de parto e o parto, as parteiras desempenham um papel crucial na prestação de serviços, aconselhamento e apoio que salvam vidas.

Uma abordagem chave e eficaz para aumentar o acesso e disponibilidade de serviços de saúde sexual e reprodutiva de qualidade é o aumento das competências técnicas dos estudantes de enfermagem no Instituto de Formação de Tete, que, após a formatura, começarão a trabalhar em unidades de sanitárias onde o apoio é mais necessário. Isso é particularmente importante para continuar os sucessos positivos de redução da mortalidade materna num país onde a mortalidade materna diminuiu de 500 mortes por 100.000 nascidos vivos em 2007 para a taxa atual de 452 mortes por 100.000 nascidos vivos (Censo de 2017).


Grupo de estudantes de enfermagem no Instituto de Formação da província de Tete - Moozambique ©UNFPA Mozambique

A importância da Colaboração Sul-Sul

O programa também se baseia na atual colaboração Sul-Sul entre os Ministérios da Saúde de Moçambique e de Cuba. No âmbito deste acordo, três estudantes moçambicanas participam num programa de pós-graduação em enfermagem de três anos em Cuba; enquanto três enfermeiras cubanas trabalham com professoras e alunas do Instituto de Formação de Tete em Moçambique.

A enfermeira Rosa credita muito da sua confiança e habilidades às enfermeiras cubanas visitantes que lhe ensinaram lições valiosas sobre obstetrícia, incubação de recém-nascidos prematuros, ressuscitação e intubação de recém-nascidos, o método mãe canguru e muito mais.

O Instituto de Tete também recebeu manequins de aspecto humano para praticar as suas competências: “pelo nosso trabalho com os manequins, eu sabia o que fazer numa situação real. Conseguimos praticar bastante com as bonecas, por isso sabemos o que esperar nas unidades de sanitárias”, explica Rosa.

Após um ano e meio de implantação, o projeto alcançou importantes conquistas: em 2020, todos os alunos que ingressaram no programa de estágio do Instituto se formaram com êxito; novos alunos agora estão matriculados para começar a estudar em fevereiro de 2021.

A enfermeira Rosa incentiva os jovens a aderirem a esta carreira, compartilhando “é uma grande oportunidade. A escola, as enfermeiras e os professores ainda me ajudam hoje, mesmo depois da minha formatura. Eles ainda aprendem coisas novas na escola e passam essas novas habilidades sempre que podem. ”

As enfermeiras cubanas, além de trabalharem diretamente com os alunos, também apoiaram o desenvolvimento de diretrizes para melhorar o modelo de treino e o currículo e adaptá-los virtualmente em resposta à pandemia COVID-19. Por meio desse suporte técnico, 73% dos treinos em serviço planeados e das visitas de campo foram concluídos com sucesso, juntamente com o uso de todos os programas de estágio.


Enfermeiras cubanas, Yaumara, Yanet e Maria Paulina no instituto em Tete ©UNFPA Mozambique

As enfermeiras cubanas Yaumara Hernández Selema (Especialista em Saúde Materno-Infantil), Yanet Arévalo Terrero (Especialista SMI com especialização em neonatologia) e Maria Paulina Saint Hill Santiesteban (Especialista em Medicina de Família), compartilham que vêem o projeto e os seus papéis dentro dele como crucial e benéfico - tanto profissionalmente quanto pessoalmente. “O projecto é muito importante, não só para os futuros profissionais de saúde mas também para o desenvolvimento de metodologias de ensino porque serão eles que vão assumir e continuar a dar formação aos novos profissionais de saúde aqui em Tete,” partilhou a Enfermeira Yaumara.

Trabalhando juntos para promover a saúde materna em Tete

“Eu realmente elogio a estratégia do Ministério da Saúde para reduzir a mortalidade materna e neonatal em Moçambique. O que recomendamos agora é que haja um acompanhamento consistente com os alunos / profissionais de saúde que se formam no Instituto de Formação; particularmente porque o trabalho que fazemos não é estático, é dinâmico e está em constante mudança. À medida que aprimoramos os nossos métodos, precisamos compartilhar essas novas informações com os alunos que se formaram”, compartilhou a enfermeira Yanet.

O maior legado que as enfermeiras cubanas deixarão é a necessidade de melhorar a comunicação contínua entre os alunos, professores, os pacientes e enfermeiras. As enfermeiras compartilharam que, por meio do incentivo e da liderança pelo exemplo, os professores trabalham em estreita colaboração com os seus alunos e acompanham o seu progresso em todas as fases da sua formação, especialmente durante os estágios.


Coordenador de Programas do UNFPA, Vidal Mahundla e enfermeiras fazem que parte do programa ©Vidal Mahundla / UNFPA Mozambique

“Esta tem sido uma Cooperação Sul-Sul positiva. A ênfase no diálogo contínuo entre os alunos e professores melhorou muito tudo! ”

O Coordenador do Programa do UNFPA, Vidal Mahundla, apoia o Instituto e a Equipa Técnica Cubana desde novembro de 2018, e compartilha: “Esta tem sido uma Cooperação Sul-Sul positiva. A ênfase no diálogo contínuo entre os alunos e professores melhorou muito tudo! ”

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou 2021 como o Ano Internacional da Enfermeira e Parteira para reconhecer a “dedicação e sacrifício” de milhões de profissionais de saúde na linha de frente do COVID-19. Agradecemos enfermeiras como Rosa, Yaumara, Yanet e Maria por sua dedicação aos serviços de saúde materno-infantil e o generoso apoio financeiro do Governo de Flandres para ajudar a construir uma força de trabalho de obstetrícia bem treinada e apoiada em Moçambique