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Ciclone Eloise fustiga Sofala, uma província afectada por desastres naturais - pessoal do UNFPA no terreno pronto para apoiar

SOFALA, Mocambique—Nas primeiras horas do dia 23 de Janeiro, o Ciclone Eloise - uma tempestade de categoria 2, com ventos previstos de até 160 km/h - atingiu a província de Sofala, no centro de Moçambique, uma zona que ainda se encontrava a recuperar da devastação causada pelo Ciclone Idai, que afectou aquela província há quase dois anos.

As chuvas fortes que antecederam o Ciclone Eloise já causaram a subida dos caudais dos rios e das bacias para acima dos seus níveis de alerta, aumentando o risco de cheias intensas nas zonas baixas, incluindo o distrito do Búzi e a cidade da Beira.

Uma análise hidrográfica preliminar indica que o rio Limpopo pode registar cheias como resultado do Ciclone, requerendo esforços de prontidão no norte da província de Gaza e no vale do Limpopo.

O UNFPA, a agência de saúde sexual e reprodutiva das Nações Unidas que se encontra no terreno, juntou-se nos esforços liderados pelo Governo de Moçambique para avaliar o real alcance dos danos causados pelo Ciclone e para apoiar uma resposta rápida e coordenada que responde às necessidades das populações afectadas e mais vulneráveis, incluindo mulheres, raparigas e jovens. Igualmente, o UNFPA está a trabalhar com os grupos técnicos (clusters) de proteção e de saúde para assegurar que a segurança, saúde e a proteção de mulheres e raparigas - que muitas vezes carregam o fardo da crise - sejam salvaguardadas com a devida prioridade.

Chris Neeson, um dos membros da equipa do UNFPA baseado na Beira, em Moçambique, descreve a sua experiência de lidar com o Ciclone Eloise da seguinte forma: "Ouvi muito vento acompanhado de chuvas intensas nas primeiras horas da manhã. A água entrou na minha casa, acompanhada de pedras e folhas que vinham das casas dos meus vizinhos. Era impossível apanhar sono por causa do barulho e do medo. A energia cortou-se desde a noite de ontem e era impossível fazer chamadas telefónicas.”

Inundações em Munhava na Beira, provocadas pelo Ciclone Eloise, uma tempestade de categoria dois que atingiu a costa a 23 de Janeiro. ©ONU Moçambique / Brenda Hada

Quando sai da casa, havia água por toda a parte - até aos meus joelhos - e todos  os fios elétricos, as árvores, as telhas e as cercas destruídos e espalhados nas estradas.

“Quando sai da casa, havia água por toda a parte - até aos meus joelhos - e todos  os fios elétricos, as árvores, as telhas e as cercas destruídos e espalhados nas estradas. Graças a Deus já parou de chover. Eu nunca pensei que algum dia teria medo de água, mas isto foi terrível”, refere ele.

Com base na avaliação rápida de necessidades, o UNFPA está pronto para prover assistência humanitária através dos serviços focalizados na saúde sexual e reprodutiva e na prevenção e resposta à violência baseada no género.

O Ciclone Eloise ameaça piorar a situação já extrema das comunidades da província de Sofala, uma das zonas que sofreu os impactos do Ciclone Idai, em Março de 2019, afectando cerca de 1,85 milhões de pessoas.

“Algumas pessoas que tiveram a experiência do Ciclone Idai dizem que o Eloise foi tão mau como aquele - não tão forte, mas mais duradouro"

De acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação da Resposta Humanitária (UN OCHA),  a província de Sofala e a toda a bacia do Zambeze foram afectadas por cheias intensas causadas por chuvas fortes desde os meados de Janeiro, que afectaram 21.500 pessoas, matando 3 pessoas (dados do Instituto Nacional de Gestão de Desastres de Moçambique, INGD).

No geral, as pessoas sentem-se cansadas e frustradas - com sucessivos desastres naturais para além da situação cada vez mais alarmante da pandemia da COVID-19.

Este cenário acontece pouco depois da tempestade Chalane, que também afectou algumas regiões da província de Sofala, incluindo a destruição de dezenas de escolas e unidades sanitárias, há menos de um mês.

Com uma presença já estabelecida na província de Sofala, o UNFPA está preparado para entregar e instalar sete tendas que irão servir, temporariamente, como centros de saúde e espaços amigos de mulheres, trabalhando para assegurar a continuidade dos serviços de saúde e de proteção.

“No geral, as pessoas sentem-se cansadas e frustradas - com sucessivos desastres naturais para além da situação cada vez mais alarmante da pandemia da COVID-19”,  conclui Chris.

A agência também está em processo de distribuição de 500 kits de dignidade, com artigos para as mulheres e raparigas vulneráveis afectadas pelos desastres. Tais artigos incluem sabão, calcinhas, máscaras, pensos higiênicos descartáveis, e mais, para ajudar na sua saúde pessoal e higiene feminina. Os kits representam uma forma pequena, mas poderosa, de assistência a mulheres e raparigas vulneráveis, para ajudá-las a recuperar um senso de dignidade e autoestima e evitar começar do zero.