A fístula obstétrica, uma provação que provoca mudanças na vida, foi uma realidade enfrentada por Chaviana Mussa, residente no distrito de Monapo, província de Nampula, em Moçambique. Após passar por um parto difícil, ela foi diagnosticada e enfrentou uma longa batalha pela cura.
Estima-se que 500 000 mulheres vivam com fístula obstétrica a nível global; em Moçambique, a estimativa é de 2500 novos casos todos os anos.
A fístula é uma lesão devastadora do parto que muitas vezes impõe uma condição debilitante e de isolamento às mulheres. Esse foi o caso de Chaviana. Ela suportou três anos de problemas médicos que a obrigaram até mesmo a abandonar a escola.
A sua situação começou a mudar quando descobriu que havia tratamento gratuito e de alta qualidade disponível perto de onde vive, dissipando o mito de que a cura estava demasiado longe ou era demasiado cara. Durante uma consulta na tentativa de aliviar a sua situação, Chaviana foi fortemente encorajada por uma enfermeira a ir ao hospital e procurar um encaminhamento para cuidados especializados.
Encontrando um caminho para a cura
A informação estava disponível porque a enfermeira recebeu formação no âmbito do projeto “Minha Decisão, Meu Futuro”, financiado pelo Governo da Finlândia e implementado em Nampula com o apoio do UNFPA. O programa garante a disponibilidade de cuidados médicos especializados que restauram a saúde, a dignidade e os sonhos das mulheres.
Chaviana foi uma das cerca de 25 mulheres que, no ano passado, foram submetidas a uma cirurgia que mudou as suas vidas, disponibilizada no âmbito do projeto. Ela afirmou que todo o tratamento foi gratuito, salientando que as mulheres não precisam de se preocupar com dinheiro para ter acesso a esta cura.
“A fístula obstétrica não é apenas um problema de saúde, é uma condição que pode isolar as mulheres e as raparigas das suas famílias, da educação e de outras oportunidades. Conhecer as sobreviventes e ouvir as suas histórias é uma forte lembrança de que todas as mulheres merecem ter acesso a cuidados de saúde materna atempados e de qualidade, bem como a tratamentos especializados, sem barreiras financeiras. Com o apoio certo, a cura, a esperança e um novo futuro são possíveis”, partilhou Nélida Rodriguez, representante do UNFPA em Moçambique.
A recuperação da saúde abriu-lhe um novo futuro. Agora livre da lesão, Chaviana insiste que as mulheres devem “ganhar coragem” e acreditar que a lesão tem cura. Ela também planeia regressar à escola para concluir os seus estudos.
A sua recuperação bem-sucedida é um testemunho poderoso do projeto “Minha Decisão, Meu Futuro” do UNFPA, demonstrando como uma intervenção médica oportuna, compassiva e financeiramente acessível pode curar não só corpos, mas também vidas, restaurando a esperança e as oportunidades em todo o Moçambique.
Esta história reitera a importância de as mulheres grávidas terem acesso a cuidados de saúde materna atempados e de qualidade, incluindo serviços atempados e adequados para um parto seguro e sem complicações.
