Ângelo, Eugénio e Manuelito: Homens em Cabo Delgado e Niassa abraçam a igualdade e acabam com a violência
Niassa, Moçambique - O envolvimento dos homens é crucial para o sucesso de qualquer iniciativa de combate à violência baseada no género (VBG) e ao casamento prematuro. No norte de Moçambique, homens como Ângelo, Manuelito e Eugénio, apoiados pelo projecto "Reforço do acesso e da disponibilidade de serviços de saúde sexual e reprodutiva e de prevenção e resposta à violência baseada no género para mulheres e raparigas vulneráveis afectadas pelo conflito no norte de Moçambique", financiado pelo Governo Norueguês, estão a liderar uma profunda mudança cultural: a transformação dos seus lares e comunidades.
Ângelo Vasco, um homem de 39 anos do distrito de Marrupa, na província de Niassa, viveu grande parte da sua vida acreditando numa norma destrutiva. "Eu não sabia o que era violência baseada no género. Achava que tudo numa relação conjugal era “normal”, simplesmente porque ela era minha esposa", explica. Ele maltratava a sua esposa e assumia que todas as tarefas domésticas eram dela, com base no que aprendeu na sua comunidade.
A virada aconteceu quando a sua esposa participou de uma palestra do projecto e começou a participar de actividades num espaço seguro para mulheres e raparigas, financiado pelo projecto. Motivado pela mudança dela, Ângelo passou a participar das sessões de envolvimento masculino do projecto.
"A minha visão sobre as mulheres e os relacionamentos mudou completamente", diz ele. "Aprendi que somos todos pessoas com direitos iguais e que qualquer acção negativa contra outra pessoa pode ser considerada violência, mesmo que essa pessoa seja a sua esposa ou pareça “normal” nos nossos dias."
Hoje, Ângelo divide as tarefas domésticas, respeita a sua esposa e trata-a com dignidade. "O projecto abriu a minha mente e transformou o meu comportamento, tornando a nossa família mais feliz e equilibrada."
Esta transformação é repetida por Manuelito Silva, 24 anos, também de Marrupa.
"Antes deste projecto, eu costumava bater na minha mulher e nos meus filhos, especialmente nas meninas", admite ele. "Eu não sabia que essas acções constituíam violência."
Graças à formação recebida sobre como envolver os jovens através de academias de masculinidade positiva, modelos de comportamento e cultivo da masculinidade não violenta para promover mudanças de comportamento e atitude.
Manuelito agora compreende os danos causados pela violência baseada no género.
"Hoje, vivo em paz na minha casa e ajudo a minha esposa nas tarefas domésticas. Agora, sensibilizo outros homens da comunidade para que desenvolvam pensamentos e comportamentos mais positivos, promovendo relações familiares mais saudáveis."
Protegendo as Raparigas
No posto administrativo de Nungo, no distrito de Marrupa, Eugénio Mussa, 40 anos, partilha a sua gratidão por ter aprendido a proteger as crianças. "Eu não sabia que casar crianças menores de idade era considerado violência", admite. "No passado, isso era comum na nossa comunidade, e muitas vezes diziam à minha própria filha que ela deveria casar, sem perceber que ela ainda era uma criança."
O projecto ajudou-o a compreender as graves consequências do casamento prematuro, incluindo morte prematura, gravidez precoce e doenças sexualmente transmissíveis.
"Graças a este projecto, as crianças agora frequentam a escola e conhecem os seus direitos. Aprendi que, quando identificamos casos de casamento prematuro, devemos primeiro procurar o secretário da vizinhança ou, se não houver solução, levar o caso à esquadra da polícia ou ao tribunal comunitário para obter ajuda", afirma Eugénio.
O apoio dos parceiros de implementação do projecto, Girl Child Rights e UNFPA, com financiamento da Noruega, mudou a mentalidade desses homens, transformando-os em protetores activos dos direitos e do futuro das suas famílias.
