Celeste António: De vítima silenciosa a líder empoderada graças ao apoio financiado pela Noruega
Niassa, Moçambique - Em comunidades afetadas por conflitos e pobreza, a violência psicológica e a falta de informação muitas vezes mantêm as mulheres em posições vulneráveis. O projeto Reforço do acesso e da disponibilidade de serviços de saúde sexual e reprodutiva e de prevenção e resposta à violência baseada no género para mulheres e raparigas vulneráveis afetadas pelo conflito no norte de Moçambique, do Governo norueguês, combate esta situação através da criação de espaços seguros para mulheres e raparigas: locais de apoio, aprendizagem e, fundamentalmente, empoderamento económico.
Celeste António, 47 anos, casada e mãe de seis filhos, do distrito de Mecula, na província de Niassa, é testemunha dessa profunda mudança. "Antes do projeto chegar, eu não sabia sobre as várias formas de violência. Eu aceitava ser violada psicologicamente, mas, por falta de informação, não sabia como reagir", recorda Celeste.
A sua vida mudou quando começou a frequentar o espaço seguro criado pelo projeto, que foi possível graças ao generoso financiamento do Governo norueguês.
"Hoje, posso dizer que sou uma mulher empoderada porque conheço os meus direitos e sei identificar situações de violência", afirma Celeste com orgulho.
No espaço seguro, ela junta-se a outras mulheres para sessões, partilhando experiências diárias e aprendendo sobre igualdade de género e a importância da partilha de responsabilidades. Grupos de poupança são formados por aproximadamente 30 mulheres (com 18 anos ou mais) para promover a sua autonomia económica e o fortalecimento da comunidade. De forma participativa, as integrantes definem as regras fundamentais, incluindo o valor das poupanças individuais, a contribuição para um fundo social de emergência, a frequência das reuniões e a eleição de uma equipa de gestão com funções específicas para garantir a transparência. Todas as diretrizes são formalizadas num estatuto interno, que pode ser revisto pelo grupo a qualquer momento, garantindo uma gestão democrática e adaptável. O espaço não é apenas um refúgio para o conhecimento; é uma plataforma para a independência económica.
"Graças a esta parceria, agora faço parte de um grupo de poupança", conta Celeste. "Posso poupar dinheiro para sustentar os meus filhos, contribuir para a educação deles e ajudar nas despesas da família."
A oportunidade proporcionada pelo projeto não só informou Celeste, mas também fortaleceu o seu papel dentro da família e da comunidade. A sua história simboliza o impacto holístico do projeto: transformar mulheres de vítimas silenciosas em defensoras informadas, com segurança e sustento para proteger o seu futuro e o dos seus filhos.
